Mostra Competitiva de Cinema Indígena Divino Tserewahú

Filmes Selecionados

Longa Metragem

Kunhangue Arandu:
A Sabedoria Das Mulheres

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País:
Brasil
Duração: 72′
Direção:
Alberto Alvares e Cristina Flória
Roteiro: Cristina Flória
Fotografia: Alberto Alvares
Edição: Carlos Sanches
Som Direto: Douglas Teixeira e Lucas Flória
Mixagem: Andre “Kbelo” Sangiacomo

Kunhangue Arandu – A Sabedoria das Mulheres foi realizado na Terra Indígena Jaraguá, no município de São Paulo, nas aldeias Tekoa Ytu, Tekoa Pyau, Tekoa Itakupe, Tekoa Yvy Porã e Tekoa Ita Endy. Revela o universo das mulheres indígenas Guarani, em sua luta pela transmissão e perpetuação de sua cultura, e as formas de resistência para manter o nhandereko, o modo de ser Guarani.

Alberto Alvares

Cineasta indígena da etnia Guarani Nhandeva, nasceu na aldeia Porto Lindo, Mato Grosso do Sul. Começou a se dedicar ao audiovisual em 2010, como realizador e formador. Graduação em Licenciatura Intercultural para Educadores Indígenas, pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Cinema de Audiovisual, na Universidade Federal Fluminense – PPGCINE. Professor de audiovisual na formação de cineastas indígenas. Professor e tradutor Guarani. Ministra cursos de formação de cineastas indígenas. Dirigiu vários filmes, vale ressaltar: Kunhangue Arandu: a sabedoria das Mulheres (2021); O Último Sonho (2019); Guardiões da Memória (2018), entre outros.

Cristina Flória

Documentarista, produtora cultural e fotógrafa. Pós-Graduação em Gestão Cultural pelo Centro Universitário Senac, São Paulo, com graduação em Ciências Sociais pela PUC, São Paulo. Proprietária da A 2.0 Produções Artísticas. Direção e produção dos filmes Kunhangue Arandu: A Sabedoria das Mulheres (2021); A’uté A’uwê Uptabi – ser criança A’uwê (2017); Dasiwa’uburéze – nossa cultura (2014). Vale ressaltar os filmes vencedores de vários prêmios: Piõ Höimanazé – a mulher Xavante em sua Arte (2018) e A’uwê Uptabi: povo verdadeiro (1998). Organizou o Livro Tradição e Resistência – Encontro de Povos Indígenas, São Paulo, Edições Sesc, 2008.

Tote Abuelo

Ficha Técnica:

Ano: 2019
País: México
Duração: 80′
Roteiro e direção: María Sojob.
Fotografia: José Alfredo Jiménez.
Som direto: Guillaume Mollet.
Edição: Nicolas Défossé.

“Tote” é um encontro inesperado entre um velho que fica cego e sua neta que não se lembra bem da infância. Enquanto o avô tece um chapéu tradicional, os fios da história da família se desenrolam. Entre dois silêncios, abre a possibilidade de compreender o significado de “amor” em tzotzil.

María Sojob

Ele nasceu em 18 de novembro de 1983 na cidade de Tsotsil Ch’enalvo ‘, Chiapas, mãe de duas filhas. Estudou Ciências da Comunicação na Universidade Autônoma de Chiapas e fez mestrado em Cinema Documentário na Universidade do Chile. Seus documentários foram exibidos em festivais e mostras de cinema nacionais e internacionais. Em seus projetos audiovisuais, María explora e reflete sobre as formas narrativas e estéticas de sua cosmognição como mulher maia Tsotsil. Em sua trajetória profissional, tem ministrado oficinas de cinema e produção audiovisual comunitária com grupos e centros educacionais, aproximando as crianças de Tsotsil da produção audiovisual por meio da produção de videocartas e sua projeção em espaços comunitários. Atualmente trabalha na produção de um documentário sobre extrativismo e mulheres na resistência, em Honduras. “Tote_Abuelo” é sua obra-prima.

Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm:
Essa Terra É Nossa!

Ficha Técnica:

Ano: 2020
País:
Brasil
Duração: 70′
Direção:
Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu e Roberto Romero
Produção: Paula Berbert
Fotografia: Isael Maxakali, Carolina Canguçu, Jacinto Maxakali, Alexandre Maxakali, Sueli Maxakali, Roberto Romero
Som: Marcela Santos
Montagem: Carolina Canguçu, Roberto Romero

Antigamente, os brancos não existiam e nós vivíamos caçando com os nossos espíritos yãmĩyxop. Mas os brancos vieram, derrubaram as matas, secaram os rios e espantaram os bichos para longe. Hoje, as nossas árvores compridas acabaram, os brancos nos cercaram e a nossa terra é pequenininha. Mas os nossos yãmĩyxop são muito fortes e nos ensinaram as histórias e os cantos dos antigos que andaram por aqui.

Isael Maxacali

É cineasta, professor e artista visual. Dirigiu os filmes “Tatakox” (2007); “Xokxop pet” (2009); “Yiax Kaax – Fim do Resguardo” (2010); “Xupapoynãg” (2011); “Kotkuphi” (2011); “Yãmîy” (2011); “Mîmãnãm” (2011); “Quando os yãmîy vêm dançar conosco” (2011); “Kakxop pit hãmkoxuk xop te yũmũgãhã” (“Iniciação dos filhos dos espíritos da terra”, 2015), “Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali” (2016) e “Yãmiyhex: as mulheres-espírito” (2019) e Nũhũ yãgmũ yõg hãm: essa terra é nossa! (2020). Foi duas vezes professor do Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG. Em 2020, venceu o Prêmio PIPA on-line, uma das principais premiações de arte contemporânea no Brasil.

Sueli Maxacali

É cineasta, professora e fotógrafa. Co-dirigiu os filmes Quando os yãmiy vêm dançar conosco (2011), Yãmiyhex: as mulheres-espírito (2019) e Nũhũ yãgmũ yõg hãm: essa terra é nossa! (2020). Publicou o livro de fotografias Koxuk Xop Imagem (Beco do Azougue Editorial, 2009), com fotografias das mulheres maxakali sobre os rituais e o cotidiano da Aldeia Verde. Foi professora do Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG, em 2016, 2017 e 2019. Atualmente, é estudante de graduação do curso de Formação Intercultural de Educadores Indígenas (FIEI) da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Carolina Canguçu

É mestre em Comunicação Social pela UFMG e atualmente coordena a Interprogramação da TV Educativa da Bahia. É montadora, pesquisadora e professora de cinema e curadora de mostras de documentários. Trabalha junto a povos tradicionais em cursos de formação audiovisual. Integrou o coletivo Filmes de Quintal por 12 anos, realizando o forumdoc.bh, Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte. É Contramestra de Capoeira Angola.

Roberto Romero

É etnólogo, doutorando em Antropologia Social pelo Museu Nacional (UFRJ). É membro da Associação Filmes de Quintal e um dos organizadores do forumdoc.bh – festival do filme documentário e etnográfico de Belo Horizonte. Foi assistente de direção do longa “Yãmĩyhex: as mulheres-espírito” (Sueli e Isael Maxakali, 2019).

Yacu Kausaykunapaj
Agua Para La Vida

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País:
Colômbia
Duração: 55′
Roteiro:
Coletivo
Câmera e fotografia: Max Silva, Juan Cadena, César Pérez
Som:
Willy Antezana, Samuel Huanca
Edição e Pós-produção:
Juan Cadena

A luta de uma comunidade pela recuperação de fontes de água em mãos de empresas do alto vale de Cochabamba durante 2020 e a memória de um líder assassinado na Guerra da Água em 2000, uma mobilização que impediu a privatização da água na Bolívia, tecem a história juntos.

Valeria Cahuana

É uma jovem comunicadora aimará, da região serrana da Bolívia, especificamente do departamento de Oruro e pertencente à organização CONAMAQ. É também membro da CAIB (Coordinadora Audiovisual Indígena Originaria de Bolivia).
Desde muito jovem, seu interesse pelo audiovisual a levou a participar de escolas alternativas na cidade de El Alto La Paz, para posteriormente ingressar no processo de formação do Sistema Plurinacional de Comunicação da Bolívia, onde finalmente desenvolveu suas habilidades artísticas e criativas.
Foi comunicadora da Confederação Nacional das Mulheres Camponesas Indígenas da Bolívia Bartolina Sisa, onde trabalhou ativamente na denúncia do Golpe de Estado ocorrido na Bolívia em 2019.

Iván Sanjinés Saavedra

É cineasta, gestor cultural e ativista pelos direitos indígenas bolivianos, em particular pelo direito à autoimagem e comunicação dos povos indígenas, já que há mais de 40 anos de atividade ininterrupta na Bolívia e em diversos países do Continente Abya Yala.
da Bolivia.
Torna-se o gestor e principal promotor do Sistema Plurinacional de Comunicação Intercultural Camponesa Indígena da Bolívia.

Média Metragem

Fôlego Vivo

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País: Brasil
Duração: 25′
Direção: Juma Jandaíra
Montagem: Gurcius Gwedner
Fotografia: Rodolfo Santana & Luna

Uma comunidade indígena do povo kariri, situada na Chapada do Araripe (zona rural do Crato/CE), reflete acerca da água: o mito indígena de recriação do mundo junto com as águas contra o mito desenvolvimentista capitalista de controle das águas e das corpas humanas e não-humanas que habitam o Rio São Francisco (Opará).

Associação dos Índios Cariris de Poço Dantas-Umari

É um coletivo de pessoas indígenas (formado por maioria de mulheres, multigeracional e que tem integrantes LGBTQI+ e PCD) que promove uma série de atividades culturais tanto na nossa comunidade, tanto fora de nossa comunidade e também no espaço virtual através de nossa cultura indígena kariri. Dentro de nossa cultura kariri. Movemos o mundo com artesanato, audiovisual, dança do toré, plantas medicinais, culinária, contação de histórias, fotografia, dentre outros.

Parente
A Esperança do Mundo

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País: Brasil
Duração: 51′
Direção e roteiro:Graciela Guarani
Fotografia: coletiva
Trilha sonora original: Gean Ramos Pankararu
Edição/montagem: Alexandre Pankararu

Em tempos nebulosos, sombrios e de muita incerteza em que vivemos, com a sombra de uma pandemia que arrasa com o planeta, PARENTE – A esperança do mundo vem no sentido de resiliência, reflexão e trazer a tona a potencia da palavra resistência em toda sua magnitude refletida na força das artes originarias, linguagens, formas e pensamentos das culturas milenares originarias, subvertendo o processo de retaliação com a sabedoria e empoderamento de povos que sempre estiveram e estão para defender todas as manifestações de vida presente nesta terra-humanidade

Graciela Guarani

Pertencente à nação Guarani Kaiowá, é produtora cultural, ativista, cineasta, curadora de cinema e formadora em audiovisual. Uma das mulheres indígenas pioneiras em produções originais audiovisuais no cenário Brasileiro, tem um currículo que inclui direção, roteiro e fotografia em mais de 10 obras audiovisuais, dentre eles, fotografia e direção no longa documental premiadíssimo internacionalmente, “My Blood is Red” 2019 ( Needs Must Film), e autora no doc. “ Falas da Terra” 2021(Rede Globo), formadora no Curso Mulheres Indígenas e Novas Mídias Sociais- da Invisibilidade ao acesso aos direitos pela ONUMULHERES-BRASIL e TJ/MS, debatedora da Mesa redonda Internacional de Mulheres na Mídia e no Cinema na 70a. Berlinale – Berlin International Film Festival 2020.

Kaapora,
O Chamado Das Matas

Ficha Técnica:

Ano: 2020
País:
Brasil
Duração: 20′
Direção:
 Olinda Muniz Wanderley – Yawar
Roteiro: Olinda Muniz Wanderley – Yawar
Montagem: Olinda Muniz Wanderley – Yawar
Direção de Arte: Olinda Muniz Wanderley – Yawar  
Edição: Olinda Wanderley e Samuel Wanderley
Fotografia: Samuel Wanderley

Uma narrativa da ligação dos Povos Indígenas com a Terra e sua Espiritualidade, do ponto de vista da indígena Olinda, que desenvolve projeto de recuperação ambiental nas terras de seu povo. Tendo a cosmovisão indígena como lente, a Kaapora e outros personagens espirituais são a linha central da narrativa e argumento do filme.

Olinda Tupinambá

Indígena do povo Tupinambá e Pataxó hãhãhãe, Jornalista, cineasta e ativista ambiental. Trabalha com audiovisual desde o final de 2015, entre documentários, ficção e performance produziu e dirigiu 7 obras audiovisuais. Foi curadora de diversos festivais e mostra de cinema, dentre eles o Festival de Cinema Indígena Cine Kurumin 8 edição (2021) e a mostra Lugar de Mulher é no cinema (2021) Produtora de duas mostras de cinema, Amotara – Olhares das Mulheres Indígenas (2021) e mostra Paraguaçu de Cinema Indígena. Coordenadora do Projeto Kaapora. Coautora do Doc/Especial TV. Falas da Terra. Produção: Estúdios Globo.

Jãkany Ãkakjey:
Nossos Alimentos

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País: Brasil
Duração: 20′
Direção: Typju Myky
Fotografia e som: Typju Myky e Mynã Myky
Montagem: Typju Myky e André Tupxi Lopes
Produção: André Tupxi Lopes

Esse curta-metragem trata da alimentação do povo Myky, em que todas as famílias têm suas roças, com variedades de alimentos. Além disso, existe a roça comunitária, onde se trabalha com um ritual sagrado, chamado de Yetá. Todas as famílias participam dos preparativos, as roças são derrubadas no período seco e queimadas logo em seguida, enquanto isso as sementes são guardadas à beira do fogo para que sejam plantadas no início das chuvas e colhidas no ano seguinte O filme mostra um pouco dos preparativos desse ritual, como a colheita de mandioca feita pelas mulheres Myky. Na sequência do filme, algumas pessoas mais velhas falam sobre os alimentos tradicionais e os novos tipos de comida com que convivemos na atualidade.

Typju Myky

Sou estudante de ensino médio agroecológico e moro na aldeia Japuíra, município de Brasnorte (MT). Comecei meus trabalhos com produção audiovisual em 2015. A partir das oficinas de vídeos eu comecei a gravar vídeos e editar imagens. Além disso, sempre acompanhei e organizei trabalhos internos, na coordenação de festas culturais, como o jogo de bola de cabeça. Fiz o primeiro registro dessa festa em meu primeiro documentário. Em 2019 recebi pelos trabalhos que tenho realizado com cinema indígena o troféu “Ana Primavesi” no Festival Internacional de Cinema Agroecológico – FICAECO. Continuo na caminhada de muita aprendizagem, buscando experiência com nossos mestres e os profissionais da área de produção de audiovisual. As filmagens realizadas por nós, cineasta Myky, têm um grande importância para a preservação de nossa cultura e ao mesmo tempo celebrar a nossa criatividade. Porque, hoje, nós jovens buscamos o fortalecimento de nossa luta através dos vídeos.

Curta Metragem

Até o Fim do Mundo

Ficha Técnica:

Ano: 2018
País: 
Colômbia
Duração: 16′
Direção:
 Margarita Rodriguez Weweli-Lukana e Juma Gitirana Tapuya Marruá
Roteiro:  Margarita Rodriguez Weweli-Lukana, Juma Gitirana Tapuya Marruá e Gurcius Gwedner
Fotografia: Felipe Chamarrabi, Vaneza Vargas, Margarita Rodriguez Weweli-Lukana e Juma Gitirana Tapuya Marruá
Montagem:  Gurcius Gwedner

O vídeo foi concebido no encontro entre a liderança indígena, do resguardo indígena do povo sikuani El Merey-La Veradicta situado na Colômbia, Margarita Rodriguez Weweli-Lukana e da alienindígena Juma Gitirana Tapuya Marruá, oriunda da região chamada Brasil. Embora concebido pelas diretoras, o filme foi construído em processo de mutirão, entre indígenas e não-indígenas, colombianxs e brasileirxs, lá e aqui, em três distintas línguas, de forma totalmente independente e com rarefeito recurso, embora tenha contado com o apoio institucional do fundo latino americano para apoio às artes cênicas IBERESCENA, Grupo Imagens Políticas (UDESC/BRA), Corporación TAPIOCA (COL) e CIASE (COL).

Margarita Rodriguez Weweli-Lukana e Juma Gitirana Tapuya Marruá

Além de liderança política de sua aldeia, atriz e artesã, Margarita Rodriguez Weweli-Lukana integra o Conselho de Mulheres Indígenas Sikuani Jumeniduawa (COMISJU) e o Conselho Nacional de Mulheres Indígenas de Colômbia (CONAMIC). Juma Gitirana Tapuya Marruá é realizadora audiovisual e pesquisadora cênica e, na época do encontro com Margarita, estava participando da residência artística intitulada “Abejas Tapioca” na região da Orinocoamazonia colombiana

Pinjawuli:
O Veneno Me Alcançou

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País: Brasil
Duração: 2′
Direção: Bih Kezo
Imagens e sons: Bih Kezo, e Jessica Kamulu
Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky

Entre a ficção e o documentário, o filme é baseado em um sonho do próprio Bih Kezo, diretor do curta. Os povos Manoki e Myky sabem que os seres que compartilham o mundo com os humanos estão pedindo ajuda, sobretudo para os indígenas, que conhecem a existência das Mju’u, as mães da terra. No filme, o avião persegue Bih por todas as partes da aldeia, assim como na realidade: as aeronaves que passam veneno nas lavouras vizinhas sobrevoam constantemente a aldeia Paredão, em Brasnorte-MT. Sempre na época após o plantio, a comunidade sente o cheiro de veneno dentro da aldeia, o que causa grande preocupação às famílias considerando o crescente número de agrotóxicos que vêm sendo liberados no Brasil, sobretudo nos últimos cinco anos.

Bih Kezo

Meu nome é Elivelton Kezo Kamanoxi, e meu apelido é simplesmente “Bih”. Nasci no dia sete de junho de 2001, e sempre morei na aldeia Paredão, em Brasnorte (MT). A primeira vez que toquei em uma filmadora profissional foi em 2019. Gostei muito de ter participado daquela oficina de audiovisual, e me apaixonei pelas imagens lindas que a câmera faz. Naquele ano formamos um coletivo de cinema chamado “Ijã Mytyli” e fizemos um curta-metragem chamado ”Os espíritos só entendem o nosso idioma” (premiado em 2020 com Award of Merit no Best Shorts Competition em Los Angeles). Em 2020, produzi com minha irmã, Cileuza Jemiusi, um outro documentário sobre Covid-19 na aldeia Paredão. Já em 2021, nosso coletivo produziu mais quatro filmes em minha região: “Vocês me escutam” (13 min), “Piny Pyta, a força de nossas medicinas” (20 min), “Ulapa Taka’a” (20 min) e “Pinjawuli, o veneno me alcançou” (2 min). Participei de todos, e dirigi três, dois dos quais filmei e editei também. Foi uma experiência única, porque hoje tenho autonomia no uso dessas tecnologias e descobri uma forma muito interessante de contar as histórias do meu povo, além de, ao mesmo tempo, conhecer as histórias de outros povos também. Meu sonho é prosseguir nessa carreira e contribuir com o Cinema Indígena realizado no Brasil

Os Espíritos só Entendem o Nosso Idioma

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País:
Brasil
Duração: 5′
Diretores: Cileuza Jemjusi, Robert Tamuxi e Valdeilson Jolasi
Montagem: Robert Tamuxi, Cileuza Jemjusi, Valdeilson Jolasi e André Lopes
Finalização: Ricardo Dionisio

Apenas seis anciões da população Manoki na Amazônia brasileira ainda falam o idioma indígena, um risco iminente de perderem o meio pelo qual se comunicam com seus espíritos. Apesar desse ser um assunto difícil, os mais jovens decidem narrar em imagens e palavras a sua versão dessa longa história de relações com os não indígenas, falando sobre as suas dores, desafios e desejos. Apesar de todas dificuldades do contexto atual, a luta e a esperança ecoam em várias dimensões do curta-metragem, indicando que “a língua manoki viverá!”

Cileuza Jemjusi

Todos os três diretores são jovens lideranças da aldeia Paredão, do povo indígena Manoki, e este é seu trabalho de estreia.

A Vacina

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País:
Brasil
Duração: 9′
Direção:
Benito Miquiles e Mauricio Torres
Produção e Montagem: Thaís Borges
Assistência de Produção: Matheus Manfredinni
Som: Matheus Manfredinni
Fotografia: Thaís Borges, Benito Miquiles, Mauricio Torres, Matheus Manfredinni

Benito Miquiles e um grupo de guerreiros Sateré-Mawé participam de ritual em preparação para a ação de retomada de uma porção do território tradicionalmente ocupado. A área ficou fora da Terra Indígena Andirá-Marau, oficialmente demarcada em 1986, e tem sido invadida por grileiros e madeireiros.

Benito Miquiles

É uma jovem liderança do povo Sateré-Mawé. Nascido no rio Andirá, dentro do território de seu povo, mudou-se para Parintins (AM), onde se licenciou em Educação Indígena, pela Universidade Federal do Amazonas. Hoje vive em uma aldeia no rio Mamuru, onde dá aulas e luta pelo reconhecimento de parte de seu território, e contra o avanço de grileiros e madeireiros.
Mauricio Torres é mestre e doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo, com pesquisas sobre conflitos territoriais envolvendo povos e comunidades tradicionais na Amazônia. Professor do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (Ineaf), da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Mauricio Torres

É mestre e doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo, com pesquisas sobre conflitos territoriais envolvendo povos e comunidades tradicionais na Amazônia. Professor do Instituto de Agriculturas Amazônicas (Ineaf), da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Ch´Alla de la Tierra

Ficha Técnica:

Ano: 2019-2020
País: Bolívia
Duração: 11′
Roteiro: Coletivo
Câmera e Fotografia: Pascuala Prado
Som: Iver Sevilla Morales

Felicia, uma jovem líder quíchua da região andina de Cochabamba, investiga as características e os significados das vestimentas originais de seu ayllu, que estão relacionadas ao exercício da autoridade e às relações de vida nas comunidades.

Felicia Alejo Hidalgo

Ela é uma líder indígena Quechua do Vale Superior de Cochabamba. Pertence e foi dirigente da Federação Departamental das Mulheres Camponesas Indígenas de Cochabamba Bartolina Sisa. Atualmente é Deputada Plurinacional eleita na Assembleia Legislativa Plurinacional da Bolívia.
Fez parte de um processo de formação em Comunicação Audiovisual realizado pelo Sistema Plurinacional de Comunicação da Bolívia entre 2019 e 2020.
Ch’alla de la tierra, é o resultado de sua formação e reflete uma de suas preocupações como líder quíchua, tornando-se sua estreia.

Cipó Tupi

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País: Brasil
Duração: 18′
Produção: Léo Mendez e Célia Tupinambá
Fotografia: Léo Mendez
Edição: Léo Mendez
Som: Léo Mendez

Um casal de lideranças anciãs Tupinambá vai à mata em busca de cipós para fazerem alguns de seus artefatos ancestrais. Suas histórias e ensinamentos nos falam da terra, da luta para preservação das riquezas da mata e da cultura dos artefatos ligados ao cipó. No meio das histórias e casos, a língua Tupi aparece como mais um artefato. Ensinar a tecer com cipó para deixar no concreto dos objetos histórias e o legado do cuidado e da luta cotidiana que nunca deixa de sorrir, o que Tupinambá faz tão bem. Da vassoura que limpa a casa, as lições para se varrer o mundo.

Glicéria Jesus da Silva

Indígenas da aldeia Tupinambá da Serra do Padeiro, no sul da Bahia. Professora, liderança Tupinambá e artista. Realizou, em 2015, o premiado documentário Voz Das Mulheres Indígenas (2015). Escreveu o prefácio do livro O retorno da terra de Daniela Alarcon (2019) e foi co-autora, junto com a mesma, do HQ Os donos da terra (2020). Tem desenvolvido projetos de literatura infantojuvenil e participou recentemente das exposições Um outro céu (2020) e Kwá yapé turusú yuriri assojaba tupinambá (Essa é a grande volta do manto tupinambá) com sua obra Manto Tupinambá, esta última contemplada com o Prêmio Funarte Artes Visuais 2020/2021.

Leonardo Mendes

Psicólogo e Sanitarista, mestrando em Saúde Coletiva pela Universidade do Recôncavo da Bahia (UFRB). Poeta, roteirista e cineasta. Autor de curtas documentais e experimentais, livretos poéticos e livros (em edição). Idealizador da editora independente Apoetiká, onde publica seus livretos de poesia, e do canal homônimo no Youtube.

Metoro Kwyrykangô

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País: Brasil
Duração: 8′
Direção e roteiro: Bepanàt Xikrin
Fotografia: Bepanàt Xikrin
Som direto: Bepanàt Xikrin
Montagem: Bepanàt Xikrin e Bemoipa Xikrin

O filme mostra a beleza, cantos e danças Mebengôkrê do Metoro (festa cultural Xikrin) realizado na aldeia Krãnh, Terra Indígena Trincheira Bacajá, em Altamira, Pará. O documentário mostra, a partir de imagens e entrevistas, o preparatório da festa e sua realização na comunidade, que contou com a presença de lideranças e anciões indígenas de diversas aldeias.

Bepanàt Xikrin

Tem 23 anos e é videoasta indígena da aldeia Krahn, terra indígena Trincheira-Bacajá, região do Médio Xingu. Há cerca de 5 anos, Benap vem registrando e divulgando o patrimônio cultural do seu povo Xikrin com apoio de parceiros e da Associação Indígena Berê.

Ma Qilqa Allchijataki
Una Carta Para Mi Nieto

Ficha Técnica:

Ano: 2019
País:
Bolívia
Duração: 10′
Roteiro
: Coletivo
Câmera e fotografia: Sandra Chuquimia
Som: Max Silva Tapia
Edição Off Line: Lourdes Rivas Limachi – Alondra Febrero Rodríguez
Edição On Line: Juan Cadena

Uma mulher indígena, hoje na qualidade de avó, conta a história de três gerações de mulheres (filhas, mães e avós aimarás), preocupada em que seu único neto não perca a identidade ou ignore a memória histórica de sua família.

Lourdes Limachi Rivas

Ela é uma mulher aymara, da região serrana de La Paz, Bolívia, pertencente à organização indígena CONAMAQ. Fez parte de um processo de formação em Comunicação Audiovisual realizado pelo Sistema Plurinacional de Comunicação da Bolívia entre 2019 e 2020.
Uma carta para meu neto é fruto de sua formação e reflete uma de suas preocupações como avó, tornando-se seu primeiro filme.

Sã’ananãkini:
Vocês Me Escutam

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País: Brasil
Duração: 13′
Direção: Valmir Xinuli
Montagem: Valmir Xinuli e André Tupxi Lopes
Produção: André Tupxi Lopes
Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky

O filme narra a história de vida do ancião Alípio Iranche Xinuli, sua infância como órfão, a ida para a missão jesuíta de Utiariti, o casamento e sua volta à terra indígena, onde abriu uma nova aldeia e criou uma grande família. A partir de uma conversa com sua mãe, Valmir Xinuli, neto de Alípio e diretor do documentário, propõe uma conversa com os seus descendentes, relembrando sua caminhada nessa terra, seus ensinamentos, e episódios engraçados com seu avô, falecido no final de 2020 de covid-19, única vítima fatal desse vírus no povo Manoki.

Valmir Xinuli

Me chamo Valmir Luciano Xinuli, nasci em Tangará da Serra (MT) em 9/8/1993. Sempre morei em aldeias, especialmente na TI Irantxe/Manoki, onde fiz parte dos meus estudos até o ensino médio. Desde minha adolescência estive envolvido nos projetos e reuniões de interesse da comunidade Manoki. Em 2007 fiz parte das “Oficinas de medicina tradicional do povo Manoki”, logo no ano posterior fiz parte da organização do projeto “Ponto de Cultura” como coordenador. Dentro do projeto fui um dos jovens a filmar e editar o “Ponto de Cultura Manoki” e “Vende-se Pequi” (em 2011 e 2013 respectivamente). Participei do Projeto de Inclusão indígena na Uni. Federal do Mato Grosso, no qual fui um dos alunos selecionados para fazer o curso de Geologia no ano de 2014, mesmo ano em que fui um dos fundadores da Associação Manoki Pyta. Em 2016 casei com Vanessa Salvaterra Xinuli e em 2019 recebemos o nascimento de  Helena Salvaterra Xinuli. Sempre busquei ajudar a comunidade Manoki em uma visão atualizada de mundo, em 2020 fui convidado para participar do coletivo Ijã Mytyli e em 2021 fui o diretor do filme “Sã’Anãnãkini” (vocês me escutam), dedicado ao meu avô Alípio Iranche Xinuli. O ato de registrar os momentos sempre me chamou atenção, pois eu acredito que as imagens podem falar por si só.

Teko Mbaraete
Fortalecimento da Vida

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País: Brasil
Duração: 10′
Direção: Vhera Xunu
Equipe: Andréa Kerexu, Nicolas Kara’i e Paulo Roberto Karai Moreira
Liderança: Valdecir Xunú
Produção: Ana Letícia Meira Schweig, Eduardo Schaan, Geórgia de Macedo Garcia, Marcus A. S. Wittmann
Edição: Rafael Coelho

Muitas famílias Mbyá Guarani que moram em aldeias próximas de centros urbanos, vendem artesanatos para sobreviver nos territórios em meio a cidade. O filme convida os não indígenas a conhecerem seu cotidiano através da produção do artesanato, do território, da plantação de milho, da opy. O filme é uma mensagem para não indígenas que passam cotidianamente por essas famílias, no centro da cidade, mas não entendem o que vem. Esse filme foi produzido dentro do projeto “Mborayvu: imagens e mensagens indígenas para a cidade”, pela Tela Indígena via financiamento da lei Aldir Blanc nº 14.017/2020.

Vhera Xunu

Vhera Xunu é cineasta do povo Mbya Guarani. Em 2016, foi convidado a fazer parte do grupo de Comunicadores Mirim da Comissão Yvyrupa, em que trabalhou durante três anos divulgando, fotografando e filmando eventos Guarani. Seu primeiro filme se chamou “Perigo na Mata” (2016) e seu último lançamento foi “O despertar do divino Sol” (2019), ambos curtas-metragens.

Nuestro Secreto

Ficha Técnica:

Ano: 2019
País:
Bolívia
Duração: 8′
Roteiro
: Coletivo
Câmera e fotografia: Iver Sevilla
Som: Eugenio Rodríguez
Edição Off Line: Alondra Febrero Rodríguez
Edição On Line: Juan Cadena

Susy é uma adolescente indígena que sofre perseguições e maus-tratos por parte de seus colegas de escola. Ela guarda seu segredo em silêncio, até que um dia uma amiga entra em sua vida, uma colega de classe, que a transformará.

Alondra Febrero Rodríguez

É um jovem comunicador indígena aimará pertencente à CAIB (Coordinadora Audiovisual Indígena Originaria de Bolivia), da região tropical do norte de La Paz Bolívia. Formou-se em comunicação audiovisual, no marco do Sistema Plurinacional de Comunicação da Bolívia, como parte de um processo de fortalecimento da comunicação de organizações camponesas indígenas, especialmente mulheres.

Nuestro Secreto é uma ficção que se inspirou em uma de suas experiências como adolescente indígena, tornando-se seu primeiro filme, fruto da produção coletiva.

Jêguá – Nossa Resistência

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País: Brasil
Duração: 10′
Direção: Vhera Xunu
Equipe: Andréa Kerexu, Nicolas Kara’i e Paulo Roberto Karai Moreira
Edição: Rafael Coelho

Jêgua – Nossa Resistência encaminha uma mensagem aos não indígenas durante a pandemia. Pinturas cobrem os rostos de pessoas de diferentes gerações e mostra a resistência do povo Mbyá Guarani, no sul do país, em suas formas de ver o mundo, de pensar a saúde e as lutas. Esse filme foi produzido dentro do projeto “Mborayvu: imagens e mensagens indígenas para a cidade”, pela Tela Indígena via financiamento da lei Aldir Blanc nº 14.017/2020.

 

Gerson Gomes Leopoldino

Gerson é cineasta Mbyá Guarani. Especializado em direção e montagem, cuja trajetória se inicia em 2013 ao integrar o grupo Comunicação Kuery, formado por diversos cineastas Mbyá do Rio Grande do Sul e focado em filmar e preservar as tradições e a visão indígena. Juntos, produziram uma série de curtas-metragens sobre a tradição Guarani: “Ka’Aguy Rupa” (2018), Jeguatá Tenonde Reko (2016), “Onhepyru” (2015) e Produção de curtas e vídeos das atividades desenvolvidas no Programa de Apoio às Comunidades Mbya-Guarani no mbito das Obras de Duplicação da Rodovia BR-116/RS (2014-2015)

III FFEP