Mostra Competitiva de Cinema Indígena Divino Tserewahú

Filmes Vencedores

Melhor Longa Metragem

Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm:
Essa Terra É Nossa!

Ficha Técnica:

Ano: 2020
País:
Brasil
Duração: 70′
Direção:
Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu e Roberto Romero
Produção: Paula Berbert
Fotografia: Isael Maxakali, Carolina Canguçu, Jacinto Maxakali, Alexandre Maxakali, Sueli Maxakali, Roberto Romero
Som: Marcela Santos
Montagem: Carolina Canguçu, Roberto Romero

Antigamente, os brancos não existiam e nós vivíamos caçando com os nossos espíritos yãmĩyxop. Mas os brancos vieram, derrubaram as matas, secaram os rios e espantaram os bichos para longe. Hoje, as nossas árvores compridas acabaram, os brancos nos cercaram e a nossa terra é pequenininha. Mas os nossos yãmĩyxop são muito fortes e nos ensinaram as histórias e os cantos dos antigos que andaram por aqui.

Isael Maxacali

É cineasta, professor e artista visual. Dirigiu os filmes “Tatakox” (2007); “Xokxop pet” (2009); “Yiax Kaax – Fim do Resguardo” (2010); “Xupapoynãg” (2011); “Kotkuphi” (2011); “Yãmîy” (2011); “Mîmãnãm” (2011); “Quando os yãmîy vêm dançar conosco” (2011); “Kakxop pit hãmkoxuk xop te yũmũgãhã” (“Iniciação dos filhos dos espíritos da terra”, 2015), “Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali” (2016) e “Yãmiyhex: as mulheres-espírito” (2019) e Nũhũ yãgmũ yõg hãm: essa terra é nossa! (2020). Foi duas vezes professor do Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG. Em 2020, venceu o Prêmio PIPA on-line, uma das principais premiações de arte contemporânea no Brasil.

Sueli Maxacali

É cineasta, professora e fotógrafa. Co-dirigiu os filmes Quando os yãmiy vêm dançar conosco (2011), Yãmiyhex: as mulheres-espírito (2019) e Nũhũ yãgmũ yõg hãm: essa terra é nossa! (2020). Publicou o livro de fotografias Koxuk Xop Imagem (Beco do Azougue Editorial, 2009), com fotografias das mulheres maxakali sobre os rituais e o cotidiano da Aldeia Verde. Foi professora do Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG, em 2016, 2017 e 2019. Atualmente, é estudante de graduação do curso de Formação Intercultural de Educadores Indígenas (FIEI) da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Carolina Canguçu

É mestre em Comunicação Social pela UFMG e atualmente coordena a Interprogramação da TV Educativa da Bahia. É montadora, pesquisadora e professora de cinema e curadora de mostras de documentários. Trabalha junto a povos tradicionais em cursos de formação audiovisual. Integrou o coletivo Filmes de Quintal por 12 anos, realizando o forumdoc.bh, Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte. É Contramestra de Capoeira Angola.

Roberto Romero

É etnólogo, doutorando em Antropologia Social pelo Museu Nacional (UFRJ). É membro da Associação Filmes de Quintal e um dos organizadores do forumdoc.bh – festival do filme documentário e etnográfico de Belo Horizonte. Foi assistente de direção do longa “Yãmĩyhex: as mulheres-espírito” (Sueli e Isael Maxakali, 2019).

Menção Honrosa

Tote Abuelo

Ficha Técnica:

Ano: 2019
País: México
Duração: 80′
Roteiro e direção: María Sojob.
Fotografia: José Alfredo Jiménez.
Som direto: Guillaume Mollet.
Edição: Nicolas Défossé.

“Tote” é um encontro inesperado entre um velho que fica cego e sua neta que não se lembra bem da infância. Enquanto o avô tece um chapéu tradicional, os fios da história da família se desenrolam. Entre dois silêncios, abre a possibilidade de compreender o significado de “amor” em tzotzil.

María Sojob

Ele nasceu em 18 de novembro de 1983 na cidade de Tsotsil Ch’enalvo ‘, Chiapas, mãe de duas filhas. Estudou Ciências da Comunicação na Universidade Autônoma de Chiapas e fez mestrado em Cinema Documentário na Universidade do Chile. Seus documentários foram exibidos em festivais e mostras de cinema nacionais e internacionais. Em seus projetos audiovisuais, María explora e reflete sobre as formas narrativas e estéticas de sua cosmognição como mulher maia Tsotsil. Em sua trajetória profissional, tem ministrado oficinas de cinema e produção audiovisual comunitária com grupos e centros educacionais, aproximando as crianças de Tsotsil da produção audiovisual por meio da produção de videocartas e sua projeção em espaços comunitários. Atualmente trabalha na produção de um documentário sobre extrativismo e mulheres na resistência, em Honduras. “Tote_Abuelo” é sua obra-prima.

Melhor Média Metragem

Kaapora,
O Chamado Das Matas

Ficha Técnica:

Ano: 2020
País:
Brasil
Duração: 20′
Direção:
 Olinda Muniz Wanderley – Yawar
Roteiro: Olinda Muniz Wanderley – Yawar
Montagem: Olinda Muniz Wanderley – Yawar
Direção de Arte: Olinda Muniz Wanderley – Yawar  
Edição: Olinda Wanderley e Samuel Wanderley
Fotografia: Samuel Wanderley

Uma narrativa da ligação dos Povos Indígenas com a Terra e sua Espiritualidade, do ponto de vista da indígena Olinda, que desenvolve projeto de recuperação ambiental nas terras de seu povo. Tendo a cosmovisão indígena como lente, a Kaapora e outros personagens espirituais são a linha central da narrativa e argumento do filme.

Olinda Tupinambá

Indígena do povo Tupinambá e Pataxó hãhãhãe, Jornalista, cineasta e ativista ambiental. Trabalha com audiovisual desde o final de 2015, entre documentários, ficção e performance produziu e dirigiu 7 obras audiovisuais. Foi curadora de diversos festivais e mostra de cinema, dentre eles o Festival de Cinema Indígena Cine Kurumin 8 edição (2021) e a mostra Lugar de Mulher é no cinema (2021) Produtora de duas mostras de cinema, Amotara – Olhares das Mulheres Indígenas (2021) e mostra Paraguaçu de Cinema Indígena. Coordenadora do Projeto Kaapora. Coautora do Doc/Especial TV. Falas da Terra. Produção: Estúdios Globo.

Menção Honrosa

Fôlego Vivo

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País: Brasil
Duração: 25′
Direção: Juma Jandaíra
Montagem: Gurcius Gwedner
Fotografia: Rodolfo Santana & Luna

Uma comunidade indígena do povo kariri, situada na Chapada do Araripe (zona rural do Crato/CE), reflete acerca da água: o mito indígena de recriação do mundo junto com as águas contra o mito desenvolvimentista capitalista de controle das águas e das corpas humanas e não-humanas que habitam o Rio São Francisco (Opará).

Associação dos Índios Cariris de Poço Dantas-Umari

É um coletivo de pessoas indígenas (formado por maioria de mulheres, multigeracional e que tem integrantes LGBTQI+ e PCD) que promove uma série de atividades culturais tanto na nossa comunidade, tanto fora de nossa comunidade e também no espaço virtual através de nossa cultura indígena kariri. Dentro de nossa cultura kariri. Movemos o mundo com artesanato, audiovisual, dança do toré, plantas medicinais, culinária, contação de histórias, fotografia, dentre outros.

Melhor Curta Metragem

Ch´Alla de la Tierra

Ficha Técnica:

Ano: 2019-2020
País: Bolívia
Duração: 11′
Roteiro: Coletivo
Câmera e Fotografia: Pascuala Prado
Som: Iver Sevilla Morales

Felicia, uma jovem líder quíchua da região andina de Cochabamba, investiga as características e os significados das vestimentas originais de seu ayllu, que estão relacionadas ao exercício da autoridade e às relações de vida nas comunidades.

Felicia Alejo Hidalgo

Ela é uma líder indígena Quechua do Vale Superior de Cochabamba. Pertence e foi dirigente da Federação Departamental das Mulheres Camponesas Indígenas de Cochabamba Bartolina Sisa. Atualmente é Deputada Plurinacional eleita na Assembleia Legislativa Plurinacional da Bolívia.
Fez parte de um processo de formação em Comunicação Audiovisual realizado pelo Sistema Plurinacional de Comunicação da Bolívia entre 2019 e 2020.
Ch’alla de la tierra, é o resultado de sua formação e reflete uma de suas preocupações como líder quíchua, tornando-se sua estreia.

Menções Honrosas

Sã’ananãkini:
Vocês Me Escutam

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País: Brasil
Duração: 13′
Direção: Valmir Xinuli
Montagem: Valmir Xinuli e André Tupxi Lopes
Produção: André Tupxi Lopes
Realização: Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky

O filme narra a história de vida do ancião Alípio Iranche Xinuli, sua infância como órfão, a ida para a missão jesuíta de Utiariti, o casamento e sua volta à terra indígena, onde abriu uma nova aldeia e criou uma grande família. A partir de uma conversa com sua mãe, Valmir Xinuli, neto de Alípio e diretor do documentário, propõe uma conversa com os seus descendentes, relembrando sua caminhada nessa terra, seus ensinamentos, e episódios engraçados com seu avô, falecido no final de 2020 de covid-19, única vítima fatal desse vírus no povo Manoki.

Valmir Xinuli

Me chamo Valmir Luciano Xinuli, nasci em Tangará da Serra (MT) em 9/8/1993. Sempre morei em aldeias, especialmente na TI Irantxe/Manoki, onde fiz parte dos meus estudos até o ensino médio. Desde minha adolescência estive envolvido nos projetos e reuniões de interesse da comunidade Manoki. Em 2007 fiz parte das “Oficinas de medicina tradicional do povo Manoki”, logo no ano posterior fiz parte da organização do projeto “Ponto de Cultura” como coordenador. Dentro do projeto fui um dos jovens a filmar e editar o “Ponto de Cultura Manoki” e “Vende-se Pequi” (em 2011 e 2013 respectivamente). Participei do Projeto de Inclusão indígena na Uni. Federal do Mato Grosso, no qual fui um dos alunos selecionados para fazer o curso de Geologia no ano de 2014, mesmo ano em que fui um dos fundadores da Associação Manoki Pyta. Em 2016 casei com Vanessa Salvaterra Xinuli e em 2019 recebemos o nascimento de  Helena Salvaterra Xinuli. Sempre busquei ajudar a comunidade Manoki em uma visão atualizada de mundo, em 2020 fui convidado para participar do coletivo Ijã Mytyli e em 2021 fui o diretor do filme “Sã’Anãnãkini” (vocês me escutam), dedicado ao meu avô Alípio Iranche Xinuli. O ato de registrar os momentos sempre me chamou atenção, pois eu acredito que as imagens podem falar por si só.

A Vacina

Ficha Técnica:

Ano: 2021
País:
Brasil
Duração: 9′
Direção:
Benito Miquiles e Mauricio Torres
Produção e Montagem: Thaís Borges
Assistência de Produção: Matheus Manfredinni
Som: Matheus Manfredinni
Fotografia: Thaís Borges, Benito Miquiles, Mauricio Torres, Matheus Manfredinni

Benito Miquiles e um grupo de guerreiros Sateré-Mawé participam de ritual em preparação para a ação de retomada de uma porção do território tradicionalmente ocupado. A área ficou fora da Terra Indígena Andirá-Marau, oficialmente demarcada em 1986, e tem sido invadida por grileiros e madeireiros.

Benito Miquiles

É uma jovem liderança do povo Sateré-Mawé. Nascido no rio Andirá, dentro do território de seu povo, mudou-se para Parintins (AM), onde se licenciou em Educação Indígena, pela Universidade Federal do Amazonas. Hoje vive em uma aldeia no rio Mamuru, onde dá aulas e luta pelo reconhecimento de parte de seu território, e contra o avanço de grileiros e madeireiros.
Mauricio Torres é mestre e doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo, com pesquisas sobre conflitos territoriais envolvendo povos e comunidades tradicionais na Amazônia. Professor do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (Ineaf), da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Mauricio Torres

É mestre e doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo, com pesquisas sobre conflitos territoriais envolvendo povos e comunidades tradicionais na Amazônia. Professor do Instituto de Agriculturas Amazônicas (Ineaf), da Universidade Federal do Pará (UFPA).

III FFEP